Os amigos que complicam a vida de Beto Richa

Com os amigos que levou para o governo, Beto Richa, a rigor, não precisa de inimigos. Subiram na vida pelas mãos dele e, agora, prometem agir da mesma maneira como ele se comporta com amigos em desgraça: sem piedade.

O primo Luiz Abi Antoun, envolvido em nove de cada dez episódios cabulosos do governo Richa, passou à condição de parente distante, tão logo teve seu nome citado na Operação Voldemort.

Abi foi condenado a treze anos de cadeia.

Na sequência, veio a Operação Publicano, aquela que apurou propinas para o caixa dois da campanha de 2014, envolvendo auditores da Receita Estadual em Londrina. Que Richa sempre foi adepto de corridas era de conhecimento geral, ficou-se sabendo então que o seu co-piloto Marcio Albuquerque Lima foi considerado o líder de uma rede criminosa composta por auditores fiscais, contadores e empresários com o objetivo de enriquecimento ilícito, sonegação fiscal e pagamento de propina.

Marcio foi condenado a 97 anos de cadeia.

Não tardou o surgimento do escabroso caso do desvio de recursos destinados à construção de escola, apurados pela Operação Quadro Negro. Nesse vergonhoso episódio Richa teve a companha dos deputados Valdir Rossoni, Ademar Traiano e Plauto Miró, e de Durval Amaral, hoje presidindo o Tribunal de Contas.

À frente da gangue estava o amigo desde os bancos escolares Maurício Fanini. O inseparável companheiro de viagens e de torneios de tênis no Graciosa Country Club está preso na carceragem da Polícia Federal em Brasília.

Sentindo-se também abandonado, tratou de delatar o dileto amigo. O processo corre em sigilo.

É ainda recente o escândalo do pedágio extorsivo cobrado pelo Econorte para abastecer os projetos políticos de Beto Richa e da camarilha que o segue. O amigo desde a faculdade de engenharia da PUC, Leal Júnior está na carceragem da Polícia Federal. Ao que consta, está entregando tudo o que sabe do amigo Richa. Inquérito corre em sigilo.

Quem acompanhou os noticiários da Globo deve ter ficado estarrecido como o áudio do encontro de Deonilson Roldo e um executivo do Grupo Bertim. Roldo propunha que a construtora desse lugar para a Odebrecht na duplicação das PR-323. Roldo é conhecido como irmão camarada de todas as horas de Richa.

A gravação foi divulgada pelo outrora amigo do peito Tony Garcia. Garcia promete fazer novas revelações ao Jornal Nacional. Resta esperar para depois avaliar o tamanho do estrago na projeto eleitoral de Beto Richa.

Fonte: Cicero Cattani