Fernanda Richa se antecipa ao marido e deixa o PSDB

Fernanda Richa antecipou-se ao marido, Beto, e se desfiliou do PSDB. Foi um ato discreto, registrado pelo TRE no dia 24 de abril passado. Ela já não terá de passar pelo constrangimento que o governador de São Paulo, que hoje manda no PSDB e que agora pressiona a sigla a livrar-se de companheiros que se tornaram incômodos à sua pretensão de se candidatar a presidente da República em 2022 – do tipo Aécio Neves e Beto Richa, réus em vários processos judiciais sob acusação de corrupção.

A desfiliação de Fernanda inaugura o epílogo de uma história que tinha tudo para ser brilhante. O coveiro se prepara para em breve jogar a pá de cal com a possível – talvez inevitável – desfiliação de Beto, forçado pelas circunstâncias.

A história de Fernanda Richa no ninho tucano começara no dia 1.º de outubro de 2001 quando o então vice-prefeito de Curitiba era seu marido, Carlos Alberto. Ele tinha assinado ficha dois dias antes (29 de setembro), deixando para trás sua curta passagem pelo PTB – partido pelo qual havia sido eleito deputado estadual. Seria um gesto natural a opção por seguir a opção partidária do pai, José Richa, que em 1989 juntou-se a um grupo de notáveis do velho MDB para criar o PSDB.

Mas a opção de Beto talvez fosse além da orientação paterna. Mais provável que ele já enxergasse no PSDB a oportunidade de galgar postos mais altos. Tentou isto pela primeira vez já no ano seguinte (2002), quando se candidatou a governador. Ficou em terceiro lugar, vencido por Roberto Requião e superado por Alvaro Dias. Mas a aposta era boa: o candidato a presidente, na sucessão do grão-tucano Fernando Henrique Cardoso, seria outro pai-fundador do partido, o senador José Serra, considerado franco favorito para barrar a quarta tentativa de Lula para chegar ao Palácio do Planalto – profecia que não se realizou.

De qualquer forma, a derrota para o Palácio Iguaçu deu a Beto Richa notoriedade política para vencer a eleição de prefeito de Curitiba em 2004, se reeleger para o cargo em 2008 e, em seguida, disputar e ganhar com facilidade duas eleições de governador (2010 e 2014). Era uma estrela em ascensão no PSDB e, junto com Aécio Neves, cotado para um dia subir a rampa do Palácio do Planalto.

Enlameado por denúncias, preso pela primeira vez semanas antes da eleição, foi atropelado pelos eleitores, que lhe deram apenas 3% dos votos para o Senado e o colocaram na sexta posição, superado até mesmo por candidatos nanicos.

Restam-lhe agora alguns passos, não necessariamente nesta ordem: enfrentar as sete ações penais em que figura como réu e atender com presteza a parte que lhe cabe na pressão que João Dória faz para limpar o PSDB dos destroços deixados por velhos companheiros. O prazo é agosto.

Fonte: contraponto