Delator diz que Cida agradeceu por mesada de R$ 15 mil ao irmão dela

Eduardo Lopes de Souza afirmou ter negociado repasses a Juliano Borghetti em reunião com Ricardo Barros e, depois, ter conversado com a atual governadora sobre o assunto

No depoimento prestado à Justiça Estadual na semana passada, o principal delator da Operação Quadro Negro, Eduardo Lopes de Souza, voltou a citar os repasses mensais de R$ 15 mil que fez a Juliano Borghetti, irmão da governadora Cida Borghetti (PP). O vídeo com a delação foi divulgado pela RPC TV na noite desta segunda-feira (14).

O delator contou ter sido procurado por Juliano Borghetti no começo de 2015 com a proposta de que nomeasse o próprio filho para um cargo na vice-governadoria, então comandada por Cida. Pela proposta de Juliano, o filho do delator receberia o salário sem trabalhar e, em contrapartida, o dono da construtora pagaria R$ 15 mil mensais ao irmão da hoje governadora, que não podia ser nomeado na estrutura do estado por ter se envolvido em uma briga de torcida, em 2013.

Eduardo Lopes de Souza relatou que, após ser procurado por Juliano, foi a uma reunião na sede do Partido Progressista, em Curitiba, na qual acertou os repasses com o próprio Juliano e também com o deputado federal Ricardo Barros (PP). Em contrapartida, o delator conseguiu um cargo na vice-governadoria, para o qual, em vez de nomear o filho, preferiu indicar Marilane Fermino da Silva que, segundo ele, já trabalhava na Secretaria de Educação e operava em favor da construtora Valor.

Segundo Souza, o acordo durou três meses e foram repassados R$ 45 mil a Juliano Borghetti. Em depoimento, o delator disse que o dinheiro era entregue em espécie, diretamente ao irmão da governadora, na sede da construtora Valor.

Além de garantir que negociou o acordo na presença de Ricardo Barros, Eduardo Lopes de Souza afirmou que conversou sobre o caso com Cida Borghetti, então vice-governadora. Ao ser questionado se chegou a ter algum contato com Cida, o empreiteiro respondeu: “Sim, ela me agradeceu. Eu fui com o Juliano lá na vice-governadoria e ela me agradeceu que eu tinha resolvido o negócio do Juliano”.

Apesar da relação entre Juliano Borghetti e Eduardo Lopes de Souza, o delator afirmou que o irmão da governadora não teve nenhuma relação com os processos licitatórios e aditamentos contratuais que foram feitos entre o governo do estado e a construtora Valor.

Secretaria do Meio Ambiente
Ainda segundo o delator, a negociação envolvia também a participação da Valor em obras da Secretaria do Meio Ambiente (Sema). Ele relatou que as licitações do estado estavam centralizadas na Secretaria de Infraestrutura e Logística, comandada por Pepe Richa, irmão do ex-governador Beto Richa (PSDB). A ideia de Ricardo Barros, segundo o delator, era levar parte dessas licitações para o Meio Ambiente, pasta sobre a qual ele tinha interferência. Com isso, a Valor passaria a operar também nas obras da Sema com o compromisso de ajudar a campanha de Barros.

Entretanto, segundo Eduardo Lopes de Souza, as licitações não foram para a Secretaria de Meio Ambiente, e, consequentemente, a Valor não firmou contratos com a pasta nem repassou recursos a Barros.

Outro lado
Em nota, Juliano Borghetti negou as acusações. Ele afirma que o depoimento de Eduardo Lopes de Souza comprova que ele não teve relação com os desvios apurados na Quadro Negro e que ele trabalhou na empresa Valor por três meses e recebeu seus pagamentos na sede na empresa. Os valores estão declarados no Imposto de Renda.

Já a governadora do Paraná, Cida Borghetti, informou que determinou à Divisão de Combate à Corrupção a investigação dos dois fatos: a Operação Quadro Negro e a troca de cargos. “A governadora nega as acusações e reforça que a funcionária citada no depoimento é servidora de carreira do Estado, nunca cumpriu expediente na vice-governadoria e sim na Casa Civil.”

Também por meio de nota, o deputado federal Ricardo Barros rechaçou a acusação da troca de cargos e afirmou que não pediu qualquer vantagem. Barros reafirmou que está à disposição para esclarecimentos.

Fonte: Gazeta do Povo